Por: Jérôme Daoust
Versão em Português do site original em www.expandingknowledge.com
Última Atualização: 15/10/2004
Tradutor: Éverson Baraldo
everson.moura@telemar.com.br
1) Introdução
2) Conversões
3) Mental
4) Decolagem
em Rampa
5) Decolagem Rebocada para Cross Country
6) Pouso
7) Pousando na Rampa
8) Vôo Normal
9) Termais
10) Dinâmica do Vôo
11) Vôo no Litoral
12) Cross Country
13) Colapsos e Situações Ruins
14) Seu Equipamento
15) Frases
16) Links
1) Introdução
Nível de habilidade assumido:
É assumido que o piloto domina as técnicas básicas de decolagem,
vôo até a área de pouso, aproximação e pouso.
Propósito / Nota legal:
Colecionadas desde 1989, esta lista de dicas é direcionada para o piloto
de parapente que deseja aprimorar suas habilidades de vôo e lidar melhor
com situações ruins. Algumas dicas são triviais, mas poderiam
continuar desconhecidas de pilotos que não entenderam logo de início.
O autor não incentiva manobras extremas. O autor não é
responsável por acidentes ou danos resultantes das dicas dadas neste
documento. Este documento não pode ser reproduzido, total ou parcialmente,
sem a autorização de seu autor, Jérôme Daoust ( E-mail
).
Nível de importância / Data de revisão
/ Cor:
Cada dica neste documento é classificada como :
L1 : A dica mais importante. Algo que você tem que
fazer, senão... Um evento muito provável de acontecer.
L2 : Importante. Você deveria fazer isto. Um evento que pode ocorrer.
L3 : Ajudará se você fizer isto. Tente tornar um hábito.
Um evento que não ocorre com muita freqüência.
L4 : Para sua informação. Tente se você quiser.
Após o nível de importância, está
a data da última revisão da dica. Dicas que são novas ou
revisadas a partir de 1º de janeiro de 2004 estarão nesta cor. Por
exemplo “L2 – 18/5/1990” significa que o que seque é
algo que você deveria fazer (nível L2), e foi revisado (e não
descoberto) em 18 de maio de 1990.
Sobre o Autor:
Jérôme Daoust ( E-mail, veja Meu Álbum de Fotos ) voa de
parapente desde 1989. Ele aprendeu no Canadá, e voou principalmente no
Monte Yamaska, próximo a Montréal. Mudou-se para França
em 1993 e voou nos Alpes. Morando na Califórnia desde 1996, Jérôme
curte o vôo em Marshall no clube Crestline Soaring Society club (veja
Links Externos / Locais de vôo). Em cada país, (veja Associações
de Parapente), ele passou facilmente (bom...) por um novo exame para obter a
licença. Embora tenha ganhado alguns prêmios em competições
locais, ele não curte competições, uma vez que isto o estressa
e ele já tem bastante disto em seu trabalho. Sua esposa, Sylvie, tem
lhe dado um suporte maravilhoso ao longo dos anos.
Sobre o tradutor:
Éverson Baraldo ( E-Mail ) voa de parapente desde 2000. Aprendeu a voar
no Rio de Janeiro, mas mora em Volta Redonda, interior do estado. Tem as cidades
de Valença, Bananal, Paulo de Frontin e Miguel Pereira como seus principais
locais de vôo, apesar de viajar com freqüência para voar em
Petrópolis, Santa Rita do Sapucaí, Cambuquira, São Conrado
e etc. É filiado ao clube de vôo-livre de Petrópolis (PVC).
Também não curte participar de campeonatos e prefere o vôo
compartilhando térmicas, permanência e distância com amigos
do que competindo.
2) Conversões
1 kg = 2.205 lb (libras)
1 m = 3.28 pés
1 m/s = 197 ppm (pés por minuto) = 2.24 mph (milhas
por hora) = 3.6 km/h
1 km/h = 0.621 mph (milhas por hora) = 0.278 m/s = 54.7 ppm
3) Mental
L1 – 26/5/1999. Efeito de Grupo. Vendo vários
pilotos fazendo determinada coisa pode criar uma forte vontade de fazer o mesmo.
Eles podem ser mais habilidosos do que você ou podem estar, simplesmente,
assumindo um risco maior. Este é um momento que você tem que manter
seu ego sob controle e julgar por você mesmo a habilidade necessária
e o risco envolvido.
L3 – 1/9/1992. Talvez sua personalidade forte o tenha
levado ao parapente. Este também é o motivo que leva muita gente
a parar. Eles percebem, num determinado momento, que estão se arriscando
demais (se exibindo) e então sentem que não estão embasadas
em seu autocontrole. Então, parar é uma boa decisão para
eles. Se você achar que estou falando de você, provavelmente não
estou, mas talvez isto tenha ajudado.
L3 – 4/8/2000. Fama. Qual é a maior recompensa
que um piloto de parapente pode obter? Mesmo que você se torne o campeão
do mundo, ou o que voa mais alto ou mais longe, a maioria das pessoas sequer
sabe o que é o parapente. Alguns anos após a sua morte as poucas
pessoas que se lembrarão de você, não por causa da sua experiência
no parapente, serão seus amigos próximos e sua família.
Talvez o maior benefício obtido seja a auto estima (se você ainda
não tiver). Clint Eastwood (astro de cinema) disse : Você é
uma lenda em sua própria cabeça!
L4 – 20/2/1999. Nota para o ego : O parapente nunca
me prometeu boas condições de vôo de forma regular. Igual
a qualquer outra paixão, o parapente me deixará bastante aborrecido
de vez em quando. Quando um amigo me disser que eu perdi um grande dia de vôo,
eu chegaria a pensar: "Eu vou desistir deste hobby imprevisível”.
A chave é olhar para trás, para o ano que passou, e me perguntar
se eu estou pronto para perder o que o parapente me proporcionou de bom, e as
coisas boas que estão por vir, provavelmente no próximo final
de semana.
L4 – 20/3/1999. Tenha outros hobbies. Após os
primeiros anos, a não ser que o parapente seja seu ramo de negócio,
voar todo dia pode acabar com a maioria da diversão, ou então,
te colocar numa constante busca por reconhecimento pelos seus esforços.
L4 – 6/4/1999. Evolução da curva de coragem.
O grau de coragem de um piloto segue uma curva característica ao longo
dos cinco primeiros anos. O piloto inicia de forma conservadora, em função
de um baixo nível de experiência e um alto nível de medo.
No meio do caminho, o nível de experiência aumenta, o medo diminui
e decisões com um certo grau de coragem são tomadas. A coragem
chega ao pico quando o piloto obtém uma classificação avançada.
Esta é a Síndrome do Super Homem. Após alguns anos, percebendo
que situações ruins podem acontecer com qualquer um, as decisões
se tornam mais conservadoras novamente.
4) Decolagem em Rampa
L1 – 17/12/2003/12/17. Se acomodando na selete. Muitos
acidentes aconteceram porque os pilotos estavam lutando para se sentarem na
selete após a decolagem. Os piores são aqueles que, sem tirar
os freios das mãos, abaixam-nas para pegar a parte de baixo da selete
para ajustar. O piloto irá entrar em um Stall (Full, Recuperção),
se o piloto usar somente uma mão, o parapente entrará em Giro
(Recuperação). Veja Foto: Ajustando a selete com freios nas mãos.
Outra idéia ruim é soltar os freios para então ajustar
a selete. Um Colapso (Asimetrica, Recuperação) levará muito
tempo para ser controlado (você precisa achar seus freios de novo) e ele
pode te jogar de volta contra a montanha. Uma idéia não tão
boa é segurar os dois freios com uma mão enquanto usa a outra
para ajeitar a selete, já que você não pode controlar um
Colapso (Asimetrica, Recuperação) tão bem como se você
tivesse com um freio em cada mão. Não é recomendado pisar
no acelerador para se sentar após a decolagem. Se você não
está automaticamente em sua selete após a decolagem, espere até
que você esteja, de forma segura, longe da montanha e, então, use
o seguinte método. Jogue o corpo para trás e levante seus joelhos
até seu peito enquanto empurra (mas sem segurar) com suas mãos
(ainda segurando os freios) todos os tirantes na altura onde você mantém
suas mãos para frear e se remexa até você se encaixar na
selete nela. Praticar esta manobra na sua garagem, prendendo sua selete com
algumas cordas irá ajudar. Você ajustou os tirantes da perna? Um
problema comum é ter tirantes na perna muito frouxos que põem
a selete muito alta quando você corre/decola, tornando difícil
sentar após a decolagem.
L2 – 1/7/1990. Atitude. Você não tem que
decolar. Se você não se sente a vontade com a condição
de vôo ou com um novo local de decolagem, voe outro dia ou em um local
melhor. Fique atento ao Efeito de Grupo e àqueles que voam para se exibir.
Eu ouvi muitas vezes “Bem, vou decolar !” e então você
o vê parado no vento forte, sem penetrar. Com certeza é engraçado...
L2 – 1/6/1990. Se o vento variar mais do que 10 km/h
(6 mph) em menos de 3 segundos, você encontrará ar turbulento.
Não decole.
L2 – 1/7/1991. O texto seguinte se aplica para uma decolagem
num topo arredondado. De uma maneira geral, é possível
decolar se a velocidade média do vento é de
20 km/h (12 mph), com rajadas de até 25 km/h (15 mph)
de, no máximo, 5 segundos, e ainda existir uma margem
razoável de segurança com respeito à
velocidade de vôo (vento relativo) da sua asa. Alguém
deve medir o vento um pouco à frente da decolagem,
para evitar turbulência. Incline o anemômetro
(windmeter) para achar a direção do vento com
a maior velocidade. Lembre-se que a velocidade do vento é
reduzida quando próximo do solo. Lembre-se que há
mais sustentação (melhor) e menos vento horizontalizado
se você puder avançar após a decolagem.
L2 – 7/9/2000. Aquelas nuvens cinza estão escurecendo.Térmicas
e grandes zonas de sustentação se tornarão
fortes. Não decole, ou vá para o pouso se você
já está voando. Olhando em volta, provavelmente
você verá zonas de chuvas (à distância).
Veja também: Voando na chuva, Pousando próximo/na
chuva.
L2 – 1/5/1990. Antes de puxar seus
tirantes para inflar sua asa, fale a si mesmo: “Esta
é uma tentativa e somente decolarei se tudo estiver
bem”. Não pense: “Eu perdi a decolagem
duas vezes e as pessoas não irão rir de mim
de novo”. Mosquitos ferozes também são
uma péssima razão para apressar a decolagem.
L2 – 1/8/1990. Após a decolagem sua asa mergulha
para ganhar velocidade (você não correu o suficiente) e em seguida
inicia um pêndulo. Se você atuar no freio quando o pêndulo
começar você o amplificará o movimento pendular, o que poderá
levar à um Stall (Full, Recuperação) no ápice do
movimento. Este efeito também pode acontecer quando você entra
numa térmica.
L2 – 1/11/1998. As 10 piores razões para decolar:
10) Eu já esperei muito tempo. 9) Eu não tenho carona para descer.
8) Eu estou com fome ou frio. 7) Foi uma longa caminha até aqui em cima.
6) Está escurecendo. 5) Vamos decolar antes que a chuva chegue. 4) Os
mosquitos estão me comendo vivo. 3) Eu chegarei atrasado para o jantar.
2) Eu serei um covarde se não decolar (Efeito de Grupo). 1) Hoje é
meu último dia de férias!
L2 - 1999/11/16. Arrancado do chão durante uma decolagem
invertida. Se existe o risco de ser arrancado do chão assim que a asa
chegar na sua cabeça numa decolagem invertida, podemos crer que é
uma boa idéia girar rapidamente antes que isto aconteça. Veja
Foto: Arrancado do chão durante uma decolagem invertida. Porém,
se seus pés saírem do chão durante o giro rápido
você não conseguirá parar sua impulsão rotacional
e irá “twistar” os tirantes para o outro lado, o que é
desorientador. Isto aconteceu comigo e eu continuei acionando o freio errado
até que minha asa começou a virar para a montanha. Para prevenir
isto de acontecer, em primeiro lugar, não gire rapidamente e/ou solicite
auxílio para decolagem (muito orgulhoso?). Porém, se acontecer,
o mais importante é relaxar e deixar a asa voar para longe do relevo
e girar depois. Segure os tirantes quando for girar de volta, tente manter a
distância deles quando virar de frente (isto pode transmitir algum giro
para a asa). Certifique-se que seu tirante do peito não está muito
apertado (antes da decolagem). Para aqueles com talento para ginástica,
abram os braços para os lados e estiquem as pernas para frente (aumenta
a inércia rotacional, reduz a velocidade de rotação) quando
seus tirantes estiverem com o máximo de força contra a rotação
e torçam o corpo para prolongar este ângulo ideal de torção
do tirante.
L2 – 23/12/2003. Exame da asa na decolagem. Antes de
iniciar a decolagem verifique sua asa botando-a na cabeça buscando um
Tirante Torcido (Selete conectada erroneamente), uma Linha Sobreposta (Recuperação),
uma Gravata (Recuperação), ou um Nó (Instável, Recuperação),
que são difíceis de serem vistos enquanto no chão. Estas
situações podem ser irreversíveis uma vez que esteja em
vôo. Se há vento suficiente, infle seu velame e fique parado, observando-o
por alguns segundos. Veja Vídeo: Piloto decola com um nó, 18/12/2003,
Salève.
L3 – 1/9/1989. A asa está sobre sua cabeça
e começa a se inclinar para um lado na direção do chão.
Simplesmente “bombando” o freio do lado que está mais alto
irá faze-lo descer se você não aplicar um forte movimento
para frente. A ação mais importante para corrigir isto é
mover o seu corpo para o lado que está mais próximo do chão.
A idéia é re-centrar seu corpo debaixo de sua asa.
L3 – 25/7/1999. Matando a asa (Linhas do “B”).
Se você estiver inflando sua asa e precisar matá-la rapidamente
(rajada), puxe os tirantes B, após ter soltado os freios. Isto derruba
a asa mais rapidamente do que com os freios uma vez que reduz sua superfície.
Observe que, enquanto segurar os freios, você manterá uma superfície
que gera uma resistência ao vento entre suas linhas da fileira B e o bordo
de fuga de sua asa. Então, simplesmente solte os freios. Evite usar esta
técnica como um hábito (toda vez que você pousa, por exemplo)
já que isto gera muita tensão no ponto de ancoragem das linhas
do “B” na asa. Veja também: Matando a Asa (Colapso Induzido),
Arrastado pela asa.
L3 – 25/7/1999. Matando a asa (Colapso Induzido). Se
você estiver inflando sua asa e precisar mata-la rapidamente (rajada),
corra na direção de uma das pontas da asa (seguindo-a de ré)
enquando enrola a linha do freio daquele lado. Isto inclinará a asa,
colocando uma superfície menor em contato com o vento. Quando a asa girar
45 graus ou mais, a orelha do lado exposto ao vento (a orelha oposta ao lado
que você está correndo) irá enrolar-se e fechar rapidamente
a maioria das células. Veja também Matando a asa (Linhas do “B”),
Arrastado pela asa.
L3 – 1/5/1990. Deixe pelo menos um piloto decolar antes
de você para ter uma idéia melhor das condições de
vôo.
L3 – 1/5/1990. Se for decolar com condições
de vento zero, identifique o percurso com menos obstáculos na frente
de sua área de decolagem.
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