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1997: 100 horas de Onix



Amigos da lista,

Estive me perguntando qual é a função do "log book". Se você não o
consulta de vez em quando para refletir sobre o que você andou fazendo,
nenhuma. O Rodrigo me incentivou a escrever esta revisão; senão por
nada, compartilhar a experiência é uma das formas mais agradáveis de
aprender. Considerei o relato do Lucas notável pois demosntra um piloto
experiente que sabe fazer bom uso de seu "log book".
	Comecei este ano de 1997 entusiamado com meu novo Onix.Um ano e 100
horas de vôo demonstraram que meu entusiasmo era plenamente justificado.
	O voo inaugural nas proximidades de Curitiba, me levou para cima  local
onde de regra eu costumava voar para baixo. Alguns belos voos de praia
(Porto Belo) foram coroados por uma condição térmica magnífica no Morro
Azul em Pomerode, SC. Meu entusiasmo continuou a crescer. 
	No inicio de Fevereiro fomos de "motorhome" sob a insígnia da Sol  para
Valadares, uma semana antes do PWC. A condição estava boa sem estar
forte e foi um delírio ver voar, voar junto e conhecer os melhores do
esporte. Além do deslumbramento de assistir a primeira prova do PWC.
Quem esteve lá sabe do que estou falando.
	Inicio de março. Aqui no Paraná tem uma cidade chamada Terra Rica
situada numa planície imensa com tres morrinhos com uma decolagem de
pouco mais de 200 mts, que tende a condições térmicas muito boas. Ali,
com Leandro, fiz o meu mais belo cross do ano, duas horas nas bases das
nuvens. Foi incrível, grudado nas nuvens sem obstáculos e sem perigo de
cb's. 
	Em abril algo novo.Uma montanha parte da Serra do Mar, o Araçatuba,  me
proporcionou uma satisfação rara. Isto porque, devido a proximidade do
mar, só de vez em quando oferece uma condição boa de voo, além do
esforço para subir carregando o equipamento nas costas. Ganhando em
termicas a partir de uma decolagem de pouco mais de 200 mts do chão,
pude desfrutar com Rosalvo, da grandiosidade e majestade e beleza de uma
montanha de grandes proporções.
Fim de abril, Ninho da Águias, campeonato local; os bons voos do dia
anterior foram esquecidos diante da brutalidade de um acidente fatal em
que o piloto, ao conduzir mal sua vela, acabou caindo dentro dela. Tive
o desprazer de presenciar a cena ao vivo e vivenciar a consternação
geral.
Fins de junho, Foz do Iguaçu. Muito bem recebidos pelo Marcelo e amigos
para um festival de vôo rebocado; oportunidade para algumas manobras.
Fim de julho, Andradas. Com o Samy. 10 dias de tempo firme e bons vôos
limitados por uma inversão que restringia o teto a uns 300 mts sobre a
rampa. O último dia teve termicas de 6 em e fui catapultado a mais de
1200 sobre a rampa. O Rodrigo Guerreiro não se fez de rogado e foi até
Campinas, 90 km. 
Setembro, mais uns dias em Andradas. Depois de um bom primeiro dia, nada
de mais. Em outubro de novo em Andradas, um campeonato de fim de semana.
Não rolou nenhuma prova, mas ganhei uma bicicleta num sorteio. Depois do
retorno, alguns vôos locais e uma ida a Jaraguá do Sul, terra da Sol.
O ponto alto do ano foi a viagem de dezembro com o Ruben.  Começou em
Andradas e terminaou em Valadares. Em Andradas, soprando noroeste com
chuva de 30 em 30 minutos; não tive sorte mesmo em Andradas este ano. No
entanto, 200 km além, em Carmo do Rio Claro, estava bombando para todo
lado, mais de 1000 sobre a rampa em várias ocasiões.
Véspera de natal Serra da Moeda, estava lá o Lucas (uma curta carona no
seu Cherokee). O vôo lá é bastante turbulento no inicio do dia térmico;
mais tarde fica bem mais tranquilo, boas térmicas, base da nuvem, etc. O
pessoal é dez. Nos acolheram como se fossemos velhos amigos. Senti não
ficar mais por lá.
Seguiu-se uma semana inteira em Valadares; o  tempo que esteve ruim,
havia melhorado.Voamos com o Vitor Maneira de Araxá, o Moisés e João
Luis (recuperado de seu acidente). Fizemos uma média de dois vôos por
dia, alguns muito bons.Ruben aproveitou para fazer o seu primeiro de
mais de 25 km. Ainda de quebra, no final desfrutamos, sem voar, o Pico
da Bandeira e o Agulhas Negras. 
Finalmente, para iniciar 1998, um belo cross em Pomerode.
Enfim, o comportamento da vela foi impecável até debaixo d'água (voei na
chuva em Valadares).Nenhuma complicação na decolagem, nenhuma
complicação no pouso. Pousos mais dificeis: na rampa com vento forte; no
Ninho, quase estolei a vela.
Unico incidente: Ibaiti, Pr. Ralando o morro sem necessidade pois não
havia sustentação num fim de tarde, enrosquei a ponta do parapente numa
árvore e fiquei pendurado sobre um pequeno platô de 1 metro quadrado,
sem poder nem ir para cima nem para baixo.No final, o único prejuízo foi
moral.  
Voei no rotor de vento forte + térmicas nas proximidades de Timbó, S.C..
Fechadas dignas de nota, somente uma, em abril, num festival em Timbó.
Fora disso, sólido. As tendências esquisitas notadas pelo Isaias em seu
mail do Isaias do dia 30/1/98, "Aprendendo com os outros", eu confesso
que não experimentei no meu equipamento.
Como é possível deduzir por este relato, nós de Curitiba, temos que nos
esforçar para voar. Andradas, p.ex. são 600 km. Foi um total de 19.920
km distância bruta neste ano de 1997, sem contar resgates, etc.
Praticamente 200 km para cada hora de vôo. Quilometragem respeitável que
muitos pilotos de diversos estados fazem, e isto nos dá uma medida do
amor que muitos tem pelo esporte. 
Obrigado a todos amigos pelo incentivo e amizade (especialmente Lucio e
Ruben).
Abraços,

Gilberto