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Talvez existam fatalidades



Roberto,

>Estou cansado de escutar a palavra FATALIDADE. Isto absolutamente NÃO existe
> em Esporte de Risco.
> Que grande bobagem ! ! Ou então as pessoas não tem a menor idéia do que FATALIDADE signifique.

Sei perfeitamente o que você está sentindo, mas gostaria que parasse um
pouco para pensar. FATALIDADE existe, falo de cadeira. Vôo a 4 anos e
nunca me machuquei (Graças a Deus!), mas tenho um irmão que aos 16 anos
ficou tetraplégico. Ele estava voltando da aula, na hora do almoço,
sentado no banco de trás do carro, parado no sinal, veio um caminhão sem
freios, matou dois e alejou o brother. Foi fatalidade! Na época pensei
em parar de voar e ele disse:
"Cara, vá voar! Se você tiver que morrer vai acontecer. Se não for sua
hora, você não vai. Eu aqui não estava fazendo nada e olha só!"
Estou te contando este caso para dizer que, quando nosso amigo Horácio
morreu, aqui em BH todos ficamos chocados ! Se fosse algum Mané fazendo
gracinha em vôo e tivesse morrido todo mundo ia saber porquê e ninguém
ia se tocar muito. Mas acho que alguns acidentes assim acontecem para
que nós possamos levar nosso esporte mais a sério e não somente colocar
a culpa nos outros.

Sinto muito pelo Charles e espero que agora ele estaja voando mais alto
e com outras asas que Deus lhe deu. O céu vai continuar sendo o seu lar.

Roberto, espero que você tenha me compreendido. O nosso esporte é de
risco com certeza e muitas vezes nós aumentamos muito mais este risco.
Mas devemos sempre ter em mente o respeito pelo vôo e sempre esperar que
aquela mão divina nos livre de uma fatalidade. Pode acontecer até aos
melhores !

Um abraço e bons vôos,

Concéssio