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Valadares: o sonho!
Pessoal,
para quem ja' assina a Termal vai ter repeteco de mensagem (sorry), mas
achei que era importante compartilhar este relato com os outros pilotos do
Brasil...
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apos um otimo mes de lua-de-mel voltamos a trabalhar :-(
Mas nem tudo e' tristeza :-) e gostaria de compartilhar com voces o que e'
estar em Valadares por 12 dias voando ate' se cansar:
Valadares e' uma cidade de +- 200 mil habitantes e otima infra. Chegamos
no dia 04/03 e ja' deu para babar ao ver o Ibituruna, imponente do
aeroporto.
Chegamos ao hotel as 16:00h e vendo a relacao de hospedes ja' nos sentimos
em casa: Leandro, Frank, Marcia, Baby e muitos outros.
Os dois primeiros dias foram de poucos voos. A condicao ainda nao estava
muito boa. Foi so' o domingo chegar (inicio do campeonato) que ela
melhorou para somente ficar ruim dia 16/03 (dia de ir embora. ate perdemos
o aviao pois valadares nao tem torre de controle e estava tudo fechado)
Voces nao acreditam o que sao 100 pilotos decolando em +- 40 minutos e
indo girar a mesma termica para comecar o cross!!!
Como diversas pessoas ja' falaram, as condicoes nao estavam fortes. Os
campos estavam verdes, ao contrario de anos anteriores que estava tudo
seco e tinham termicas canhao para todos os lados.
Acho que estas condicoes favoreceram pilotos que como eu e o Samy estamos
comecando a tirar um melhor proveito de termicas e partir para o cross.
Digo isso pois nao estava turbulento e se pegassemos termicas canhao com o
nosso nivel de aprendizado poderiamos acabar amarelando! Desta maneira
tivemos uma estupenda elevacao no nosso nivel tecnico nestes 7 dias.
Eram comuns termos termicas de 0,5 e 1,00. Termicas de 2,00 e 2,5 foram
consideradas muito boas e termicas de 3 a 4 otimas. Peguei algumas
termicas mais fortes (4 e 5) mas normalmente eram em bases de nuvens e
cresciam sem dar um petardo de uma so' vez. Agora teve gente que pegou
termicas de 7, 8 e ate contaram um historia que o Lupa pegou uma de 12
(doze) na santa. Subiu reto sem nem precisar girar!
As termicas normalmente eram grandes e faceis de se identificar, pois pelo
menos tinha uns 4 paracas enroscando na mesma (quando nao eram 20!)
Tive uma emocao muito grande no primeiro dia de prova indo para o starting
gate (alpercata - 13,1km). Ao comecar a passar pela cidade na base da
nuvem (1.300m asl 1.100 agl) comecei a olhar para o chao para procurar o
start. Onde sera que esta??? Quando me deparo com uma monstruosa seta
branca no chao apontando em direcao ao posto JR (1o pilao). Nesta hora me
toquei o que era uma competicao a nivel nacional e o que era voar em
Valadares. Neste dia fiz 18,3 Km e ja' estava nas nuvens. Meu primeiro voo
de verdade em Valadares e ja' havia batido meu recorde (14,5 Km)!!
Uma coisa que aprendi em valadares e' que se voce nao e' piloto de ponta,
a perseveranca e a forca de vontade contam muito para nao pousar no meio
do caminho. Nos dois primeiros dias enroscava e logo tentava tirar para o
cross para ir mais longe. Ao longo do campeonato notei que mesmo termicas
fracas (0,5) deveriam ser aproveitadas para se ganhar altura. Normalmente
atirava-se na certeza vendo outra termica mais a frente e com altura para
chegar.
Teve dias em que cheguei a voltar no cross para pegar termicas melhores
que eu havia passado. Acabei me dando bem em todas as vezes que tomei esta
decisao.
Voar em equipe e' essencial. Sempre que podiamos/conseguiamos trocavamos
informacoes pelo radio de termicas, tiradas, urubus, etc.
A 4a. prova para mim foi a realizacao de um sonho desde que ouvi falar de
voos de cross-country. O Leandro (valeu Le!) e eu pousamos no trevo de
Taruacu, a 51 Km do Pico do Ibituruna! Voamos praticamente juntos todo o
tempo e consegui tirar da roubada a 100m do chao quando ja' estava
procurando pouso aos 20Km. Fizemos este percurso em 4 horas (o Baby fez em
2:30h toda a prova (65Km)!!). Como cansa! Meus bracos estavam em
frangalhos depois do pouso. Depois de dobrar o equipo, me dirigi `a
estrada para pegar o resgate com a debora e parou um kombi azul caindo aos
pedados oferecando cerveja gelada a R$ 1,00! Foi a gloria!
Falando na Debora (esposa do Leandro) gostaria de dar os parabens para ela
pelo seu esforco e dedicacao como equipe de apoio. Ela estava sempre indo
de carro atras do Leandro passando dicas/urubus/etc e fazendo o resgate.
Uma boa parte da classificacao dele foi devido `a dedicacao dela!
Como um dia e' da caca e outro do cacador, na 5a. prova fiquei no
Carrapato (a unica vez!) apos uma batalha de 1 hora para nao pregar :-)
Na sexta prova novamente junto com o Leandro (uma boa parte do percurso)
voei ate' Taruacu e fiz mais um voo de 52 Km. O Passarinho e eu mandamos
baixo para uma montanha de pedras para sair da roubada e fiz meu primeiro
lift-termico. Explico: era so' chegar perto da pedra e dava para sentir o
calor subindo pelas pedras. Dei uns 3 a 4 bordos e ja' estava uns 20
metros acima da pedra para poder girar e sair da roubada. Este cross valeu
pela batalha, pois meu sistema de acelerador arrebentou 3 vezes em voo e
consegui conserta-lo. Na primeira o cordelete escapou da roldana da selete
e consegui coloca-lo no lugar. Na segunda vez o primeiro estagio arebentou
e fiquei voando somente com os pes encolhidos no segundo estagio. Na
terceira vez a roldana da selete pulou para fora e so' deu para ve-la
caindo. Nesta hora nao tinha mais jeito e perdi o acelerador!
Na quarta prova o merito foi para o Leandro que tinha esquecido a maquina
fotografica dentro da mochila e em voo retirou a mochila da selete e foi
enfiando as coisas no macacao. Pegou a maquina, prendeu na selete e nesta
hora descobriu que estava a menos de 70m do chao. Conseguiu enroscar em um
termiquina piriri e ganhou o voo!
Chegar as bases de nuvens e' tambem uma coisa que nao fazemos muito por
aqui e e' uma m-a-r-a-v-i-l-h-a! Sem entubar, aprendi a aproveitar a nuvem
pelo maior tempo possivel. Era so' ir girando na termica ate a base.
Quando chegava na base e comecava a ver os fiapos brancos perto da
vela, tirava para o cross e acelerava 50%. Se o vario continuasse a apitar
para cima, acelerava 100%. Subindo mais ainda? Fazia orelhas mas
continuava na base. Parava de subir, parava com as orelhas. Voltava a
acelerar 50%. Assim saia para a tirada na base!
Outro ponto importante foram os voos de onyx. Ao ir para valadares eu
estava a + de 1 mes sem voar (que horror!) e tinha somente uns 20 voos de
onyx. Ele se comportou muito bem e me apaixonei pela vela. Como o Giba
comentou o Onyx parece um tabua em cima de sua cabeca. Tinha horas que eu
sabia que o nucleo da termica estava passando por determinada parte da
vela e era so centra-lo. Numero de fechadas que tive?? NENHUMA! E' claro
que se nao estivesse pilotando ativamente iria tomar algumas tabacadas.
Acho ate que se estivesse de cruzilhao poderia ter alguns colapsos.
O engracado e' que com +-30 voos de onyx, voei a mesma quantidade de horas
que fiz com 90 voos de phocus! Viva a evolucao!
No final do campeonato senti uma coisa que achei que nunca iria sentir. Eu
estava cansado de voar. Tinha enchido o saco!! Que bom poder ter o
privilegio de sentir isso, pois e' sinal que voamos muito mesmo!
Cambuquira, aqui vou eu!
<>s
rodrigo
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