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NATUREZA E HOMEM: PÁSSAROS E PARAPENTES
Agora revisado...
E pra aqueles que não leram...
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NATUREZA E HOMEM: PÁSSAROS E PARAPENTES
Nature and Man: Birds and Paragliders
Um estudo:
A Research
A natureza inventou, estima-se, há 200 milhões de anos, a locomoção através
do ar. Os primeiros animais a fazê-lo, até onde sabemos, foram os
pterossauros, os quais tinham um vôo planado magnífico. Há gente que pensa
que o vôo poderia ser uma adaptação do nado, pois os movimentos de um animal
nadando são muito semelhantes aos movimentos de um pássaro voando. Assim,
voar seria "nadar através do ar" ou nadar seria "voar através do líquido".
Nadadeiras e asas são estruturas aparentadas. Os dinossauros voadores, como
todos os outros, descendiam de animais nadadores. A primeira ave conhecida é
uma mistura de lagarto de penas com ave dotada de dentes. Dos dinossauros
descendem as aves, as quais aperfeiçoaram ao máximo a arte de voar. Entre os
mamíferos, os morcegos também voam, e bem.
O ser humano é fascinado pelo vôo das aves desde a aurora dos tempos. Talvez
por isto as aves sejam objeto de adoração em muitas religiões e mitos
antigos. Os deuses tem asas em muitas mitologias. Superar a força da
gravidade, levitar, flutuar, deslizar pelos céus, são coisas presentes em
nossos sonhos. Nós, humanos, copiamos das aves esta arte de voar, desde o
mito grego de Ícaro, o qual voou colando penas de gaivotas em uma armação de
madeira, passando pelas idéias de Leonardo da Vinci - que bolou "asas
mecânicas" que nunca construiu -, até o europeu que inventou o planador:
Jean Marie LeBris, em 1850, o qual construiu um pequeno artefato voador que
imitava a forma aerodinâmica de um albatroz. LeBris observou cuidadosamente
como se dava o vôo do albatroz (ele era marujo), e assim construiu o
primeiro glider. Depois disto, Otto Lilienthal (entre 1891 e 1896)
aperfeiçoou gliders e foi ele quem descobriu o vôo de lift (via superfícies
montanhosas que defletem o vento para cima). Outro amante do vôo, Robert
Kronfeld, em 1928, descobriu as térmicas (correntes ascendentes de ar
quente) que os nossos urubús tanto apreciam há milhares de anos.
As aves realizam cinco tipos de vôo: parachutagem, gliding,, soaring,
fluttering e flapping. Parachutagem é queda mais lenta, com alta resistência
ao avanço. É o pára-quedas. Muitas plantas usam parachutagem para dispersar
suas sementes. Há estudiosos que acreditam que a primeira forma de vôo
animal teria sido a parachutagem. O gliding, entre criaturas voadoras, é
definido como o vôo planado, através de uma forma aerodinâmica, o aerofólio
(que as asas dos aviões, dos planadores e do parapente imitam), que supera o
arrasto, criando sustentação. As penas das asas das aves deixam passar
fluxos de ar por dentro delas, e os prendem, como as células de ar de um
aerofólio. O soaring é outro tipo de planeio, superior ao gliding, porque é
mais longo. O albatroz, o urubu, o condor andino são exemplos clássicos de
vôo em soaring - animais que pegam térmicas. Este tipo de vôo, como o
gliding, economiza energia, pois não há necessidade de flapping (o bater de
asas), este, chamado "vôo verdadeiro" dos pássaros. A maioria das aves
voadoras bate as asas de 2 a 14 vezes por segundo. O beija-flor faz um
flapping de até 80 batidas de asa por segundo! O fluttering é o vôo de
flapping levitado, tipo do que faz o beija-flor (que voa para frente, para
trás, lados, cima, baixo, estaciona no ar, etc). O helicóptero faz um tipo
de fluttering, enquanto o balão e o dirigível fazem outro tipo de
fluttering. Insetos também voam em fluttering, batendo suas asas e aletas
rapidamente. Borboletas só voam fazendo flapping. O parapente pode fazer os
três primeiros tipos de vôo. A aerodinâmica do corpo das aves voadoras
permite estes tipos de vôo- e isto se repete na forma do parapente. Um
piloto de parapente pode fazer parachutagem, gliding e soaring. Só não pode
fazer flapping e fluttering porque não pode bater asas e produzir empuxo e
sustentação assim.
As asas das aves são aerofólios perfeitos, com o extradorso mais convexo e
o intradorso mais côncavo - o que copiam os parapentes e os primeiros
aviões (não mais os supersônicos e outros aviões modernos, que tem a
aerodinâmica toda outra). A moela é o centro de gravidade do corpo das aves
voadoras - no centro do corpo, seu peso estabiliza o vôo. As pontas das asas
(penas rêmiges primárias) servem para dar empuxo e velocidade. Elas
"empurram" a corrente de ar para trás, como se fossem nadadeiras, e
impulsionam a ave. Se esta parte da asa é cortada, a ave não voa. A parte
interna das asas (penas rêmiges secundárias), a maior parte das asas e que
lhes dá largura, serve para planar. Perdendo metade destas penas, o vôo da
ave é descontrolado e instável. Diferente dos aviões, e mais semelhante ao
parapente, as asas dos pássaros mudam de forma sob controle muscular - e
alteram, assim, as características do vôo. O piloto do parapente muda a
forma de suas "asas" (o velame) através do freio, mexendo nos elevadores, e
de seus movimentos com o tronco no selette. O parapente é como duas asas
coladas (o piloto e as cordas seriam o corpo da ave, ou sua moela, sem a
aerodinâmica desta), mas sem as penas das pontas. O parapente assemelha-se
às asas do condor e do albatroz, pássaros de vôo gliding e soaring. A cauda
das aves (penas rectrizes) serve de balanço, de brake e de leme. O
equivalente no parapente é o controle do freio sobre o velame. Se a gente
observa um urubú ou um gaivotão voando, podemos ver como eles "acionam o
freio", isto é, a cauda, para um lado, para o outro, quando querem mudar de
direção, fazer guinadas, e também para manterem o equilíbrio diante de vento
forte. Assim como o piloto de parapente movimenta o ângulo do tronco para o
lado que quer virar, as aves também fazem isto - levando o rolamento (ângulo
em relação ao horizonte) das asas para a direção da guinada. Quando a ave
vai decolar ela abre a cauda em leque, para trás, para criar um fluxo de ar
que levanta seu bico em relação à traseira, aumentando a sustentação, e
quando ela vai pousar ela também abre a cauda em leque, em noventa graus em
relação ao solo, para baixo, para freiar. No pouso, quando a ave abre a
cauda em leque, aponta-a para o solo, ela aumenta o ângulo de ataque e
estola o vôo. A maneira da ave estolar o vôo também é mudar o ângulo de
ataque das asas, abrindo-as para trás, isto é, como se os bordos de ataque
fossem se encontrar nas suas costas, e usá-las como um grande freio, além da
cauda. Aves pescadoras e de rapina estolam as asas fechando-as pela metade
para perder altura em velocidade, fazendo mergulhos como se fossem flechas.
O piloto de parapente também aciona os freios, mudando a forma do velame,
para a decolagem e para o pouso, pelas mesmas razões que as aves mudam a
forma de sua cauda e asas. O parapente é uma ave cotó, mas tem uma pequena
cauda embutida no próprio controle do freio - semelhante a alguns
pterodáctilos da Era Terciária que também não tinham cauda. Os ossos das
aves são ocos, para que tenham o mínimo de peso e 20% deste peso é
constituído pela musculatura torácica delas - pois fazer flapping, isto é,
bater asas, é um esforço e tanto! O esqueleto de uma fragata pesa menos do
que todas as suas penas. Imagine uma ave migratória que voa durante meses
sem parar - e sem comer - fazendo flappings e planando, acima dos oceanos! O
coração das aves tem mais força do que o coração humano. O aparelho
respiratório das aves também é superior ao nosso: O delas ocupa 1/5 do peso,
enquanto o dos mamíferos apenas 1/20 do peso. O homem, mesmo que vestisse
asas móveis, não conseguiria fazer flapping porque não tem resistência
física para isto. Esta seria a causa de fracasso de muitos entusiastas do
vôo das aves e inventores que tentassem voar batendo asas artificiais - se
cansariam e cairiam ou nem decolariam. O motor é um substituto mecânico
para gerar este empuxo artificialmente no vôo do avião ou do paramoto.
Pois é, pensei que seria uma coisa bem "zen" se a gente se imaginasse como
uma ave, uma vez voando de parapente - um condor em seu vôo magnífico lá em
cima nos Andes: Que tal? Este urubú nobre, abre as enormes asas, faz uns
poucos flappings - Flap! Flap! Flap! - e decola, lindão. Dali em diante,
fará apenas planeio - gliding e soaring. O parapente decola sem flapping, já
contando com o vento. Alguns pássaros também fazem isto quando decolam de
cima de algum relevo ou árvore. Em compensação, nós humanos temos pernas
musculosas, que nos permitem correr e tomar impulso para decolar - o que não
é o caso da maioria das aves . Ao decolar o parapente, traciona-se o freio
um tantinho, para que o velame não caia à frente - assim como o pássaro abre
a cauda em leque com o mesmo objetivo. Decolando como um condor, o parapente
navega pelos ares através das correntes de ar. Ele consome o mínimo de
energia. O seu vôo é como uma dança no ar. Ao pousar, a ave abre a cauda e
toca o solo, ou o galho, assim como o parapente deve tracionar os freios e
pousar suave. Se alguém inventasse um parapente que tivesse pontas leves
capazes de fazer flapping, ou seja, de bater como asas, o parapente faria
todos os tipos de vôo que as aves fazem, de modo equivalente e retomaria
altura quando afundando.
Texto escrito por Wesley o meu aluno de Juiz de Fora,
professor universitário e encantado por vôo,pássaros e parapentes
[]s Millan
>Oi Millan
Corrigi os defeitos do texto a partir das críticas legais do Augusto e
mudei umas frases.
Estou me achando meio pretensioso ao escrever isto - fui professor de
biologia e zoologia por anos, mas de engenharia de vôo entendo bulufas -
, mas em todo caso, caso seja interessante, útil, aqui vai. Quem sabe
não provocamos uma discussão nova?
As fotos ficaram legais!
Um abração
Wesley
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