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En: Grande Susuto-Optei por lançar o reserva !!!
Pessoal estou transcrevendo o relato de um grande amigo meu , à pedido dele
, pois achamos que foi uma lição para nós , e gostaríamos de que vcs
comentassem tbém sobre as reações , o que foi certo e errado e o que vcs
acham que deveria ter sido feito ou não !!
Ok ,
Segue aí ....
"Olá Amigos da Lista !
Não sou de escrever para a lista , mas senti na obrigação de repassar esta
experiência.
Este é um relato de um incidente vivido em meu vôo de ontem (Quarta
Feira-03/09/2003).
Talvez para alguns pilotos, ele servirá de exemplo porque para mim foi uma
lição prática e meu desejo é que não aconteça a nenhum outro piloto.
Apresentação:
Meu nome é ...(O Piloto é meu Amigo , e achei melhor deixá-lo no anonimato)
, sou de Uberlândia/ MG e vôo em Piracicaba, município de Araguari/MG, sou
piloto de parapente há dois anos, tenho mais de 250 vôos e já voei 12
sítios diferentes, tenho uma freqüência de 02 a 03 vôos semanais, já fiz
vários vôos acima de 100 KM sendo que o meu melhor vôo de Cross foi me
Valadares com 120,2 KM no CBP/2003.
Apesar de já ter feito vários e bons vôos, ainda me considero um grande Preá
pelo fato do pouco tempo que pratico o esporte.
O ocorrido:
Ontem, fomos voar em Piracicaba/MG, eu e mais dois amigos voadores.
A previsão era de vento leste (de frente) a 15 KM/H, umidade alta , pressão
alta e início de formações após ás 12:00 horas, chegamos na rampa por volta
das 12:00 horas e como ainda não havia nenhuma formação, optamos por
retardar a decolagem para ver se realmente amadurecia a condição conforme a
previsão, ás 13:00 horas começaram as primeiras formações e resolvi decolar
de imediato, ganhei a primeira térmica e fui até a base com 1600 metros
acima da rampa, a visibilidade do solo nesta altitude não era muito boa,
havia névoa devido a inversão térmica, então, comecei a fazer as transições
com o auxílio do GPS.
Quando já tinha voado 34 KM, em cima de Tupaciguara/ MG, o GPS deu sinal de
bateria fraca e apagou completamente, decidi prosseguir o vôo, mas com
intenção de subir até onde dava para ter uma boa visibilidade do solo, pois
conheço a região e sei me localizar pelas estradas.
Passado 3 horas de vôo e 80 KM já voados, comecei a comemorar pelo rádio com
os dois amigos que já tinham pousado, sobre o grande vôo e comentei também
que estava sobrevoando a minha fazenda e que eu não iria mais para
Canápolis/ MG e sim mudar de rota para Centralina/ MG , pois achava que a
visibilidade da rota em Canápolis não estava muito boa, pois já tinham
várias nuvens bem desenvolvidas e se desenvolvendo rapidamente a minha
esquerda e também na minha frente.
Imediatamente virei 45º à direita procurando o lado claro (azul), minha
altitude neste momento era 1100 metros acima da decolagem.
A merda :
De repente, não mais que derrepente, o variômetro começou a
apitar ascendência de 4 M/S, aumentando para mais de 6 M/S e em questão de
segundos eu perdi a visibilidade do solo(devido à inversão térmica e tempo
muito seco) e com uma sensação de estar sendo sugado por um CB(apesar de o
mesmo ainda estar à uns 10 km de distância), comecei a ficar apavorado com a
situação, pois eu não tinha mais a visibilidade necessária e nem o meu GPS
para me orientar.
Imediatamente, dei início aos procedimentos de descida,
começando a fechar as orelhinhas, mesmo assim, o variômetro continuou
marcando acedência de 6 M/S, comecei a ficar mais adrenado com a situação ,
tratei logo de ficar atento, comecei a cortar prego pois as orelhinhas não
paravam fechadas e me forçava a segurar o tirante com mais força que o
normal e num instante de burrice, preasisse e cansaço nos braços e com a
intenção de reduzir a área vélica, puxei-os até o peito e tudo desabou.
Tomei um front violentaço e fui arremessado para trás, sem poder
conter avanço com os freios, fui estilingado para frente em direção a vela,
passei próximo do velame, coisa de + ou - 1 metro , neste instante pensei
que iria cair dentro dela e virar uma balinha.
Quando consegui ver a vela novamente, ela parecia um helicóptero
sobre a minha cabeça, girava sem parar num só sentido (Twist), acredito que
ela girou mais que dez voltas, pois já não dava mais para alcançar as linhas
na tentativa de desfazer o twist. Percebi que já estava caindo rapidamente e
olhei para o variômetro na intenção de ler alguma coisa e não conseguia ler
nada, tudo sacolejava, fiquei completamente louco , e desorientado.
Sem hesitar, mandei a mão na alça do reserva e num passe de
mágica o danado abriu em menos de 1 segundo fazendo com que aquela situação
melhorasse por alguns instantes, dando até para que eu desse uma espiadinha
no variômetro e fizesse uma leitura da altitude e da descendente que eu
estava (1100 metros acima da rampa e - 4 M/S respectivamente), constatei que
estava absurdamente alto .
Tentei recolher a vela, mas ainda não alcançava as linhas e sim
o rolo trançado, mas não tinha força suficiente para trazê-la até a mim, com
esta tentativa e para piorar mais a situação, o conjunto (piloto, velame e
reserva) começou a espiralar aceleradamente e me deixando tonto e enjoado,
pensava que daquela forma eu iria bater no chão com muita força, então
resolvi pegar o meu canivete, que levo dentro da pochete de instrumentos e
cortar os tirantes para liberar a vela, pois sentia que era ela que estava
provocando os giros e que ainda poderia enroscar nas linhas do reserva, a
vela foi ejetada com muito custo e fiquei só com os cotocos dos tirantes
presos nos mosquetões.
Mesmo assim, continuei na inércia do espiral e abri os braços e
as pernas na intenção de parar o giro.
Ufa!!!!!!!!!!!!!
O conjunto (piloto e reserva) estabilizou e assim fui descendo a
4 M/S até o chão, por minha grande sorte e graças ao bom Deus,
inacreditavelmente, cai num pasto limpo ao lado da sede da minha fazenda e
sem nenhum arranhão.
Para mim este foi o meu grande dia de sorte, tive a chance de
continuar vivendo, agora , com a tranqüilidade dos pés no chão, sei que
algumas atitudes tomadas não foram as mais corretas e nem a hora certa, mais
fica uma incógnita??????????????????????????ainda estou vivo e ileso para
contar esta experiência.
Uma coisa é certa, tudo que lemos e escutamos de pessoas mais
experientes, temos que acreditar, respeitar e procurar seguir a risca.
CB no ar, piloto no bar - parece uma riminha chula, mas é a pura verdade.
Com a natureza jamais se brinca , vamos respeitá-la. "
Bruno: É isso aí pessoal !!!
O Sinergy dele ficou perdido até ontem , pois hoje de manhã ligaram para
ele da Fazenda dele mesmo , dizendo que haviam encontrado á mesma na fazenda
do Vizinho !
O Reserva que ele usa pé o da SOL CAPA SIMPLES 33 !!
O Piloto pesa 83 Kgs , e voa de CX !!
Show de Bola !
Abraço à todos ,
Bruno-Araxá .